Ser mãe significa não ter carreira?

Lutamos por nossos direitos desde que nascemos. Nos últimos 50 anos nos defendemos, fizemos passeatas, discursos, nos empoderamos.

Não conheço uma mulher que não tenha se esforçado por uma boa carreira. É faculdade, curso de línguas, pós graduação, MBA, incansáveis horas extras. Nem vou entrar no mérito de termos que nos esforçar mais que os homens pra conseguir salários equivalentes - isso é assunto pra outro post.


São anos de plantação, cuidado, adubo. E quando começa o tempo de colheita, você decide ser mãe. Uma das decisões mais importantes que você vai tomar na vida, que nem sempre estão alinhadas com as suas metas profissionais. Você planejou ser coordenadora aos 28 anos, gerente aos 35 e diretora aos 40, mas planejou a idade certa pra ser mãe? Não né. Porque não é uma ciência exata.


Quando eu decidi sair do meu emprego corporativo, a idéia que rondava a minha cabeça é a de muitas mulheres, gestantes e até já mães: "Preciso de mais tempo pra cuidar dos meus filhos, quero ficar mais com eles, estou exausta de trabalhar 10 horas, 5 vezes por semana".


E eu lembro de um colega de trabalho me perguntar: "Então você vai ser só mãe?"

"Só? Então nesse caso eu tenho que largar tudo que eu me esforcei pra conseguir pra ser mãe? Não posso ter as duas coisas?

Não posso ter uma carreira de sucesso?

Se for boa mãe não será boa profissional, se for boa profissional não será uma boa mãe?


Eu já era fotógrafa quando decidi sair do meu emprego. A fotografia era uma forma que eu encontrei de praticar a minha criatividade. Meu avô era ourives e calígrafo e eu sentia a necessidade de fazer atividades que pudessem satisfazer meu lado artístico.

Mas no fundo a fotografia era mais que isso. Era uma forma de me conectar com novas pessoas.


Eu nunca consegui só fotografar. Eu queria saber tudo: Se for casal, queria saber como se conheceram, se for família queria saber o que gostavam de fazer, os hobbies, o prato favorito, a brincadeira favorita. Depois disso eu fotografava como alguém que já conhece um pouquinho da história deles, que tem uma câmera na mão, que usava a história deles pra fazer um registro criativo daquela família.


Então eu engravidei, o Lucca nasceu e eu decidi fazer da fotografia a minha profissão. Tinha tempo flexível, fazia meus horários, podia cuidar do Lucca.


Tsc tsc tsc. Ledo engano. Ser empreendedora, organizar os trabalhos, finanças, cuidar do filho, amamentar. As tarefas se acumularam! Cada mês que passava eu pensava: E agora? Quero fazer o curso "x" mas tenho que cuidar do Lucca. Quero fotografar em outro estado, mas e o Lucca? Quero passar 1 dia todo fotografando uma família, mas e o Lucca? Como cuidar do marketing da empresa, cuidar de novos clientes, e o Lucca????


Aí você escuta: "Ah, mas você tem que escolher!"

Maldita hora que eu escutei essa frase! (Tá explicado porque estou aqui escrevendo).


Quer dizer que devemos deixar de ser profissionais pra ser mãe!?


Esse post não é apenas um desabafo, é uma série de textos que eu vou publicar sobre ter SIM as duas coisas! E ter uma carreira corporativa ou ser empreendera não faz de você melhor ou pior mãe! Faz de você uma mãe incrível que se AMA e AMA seu filho!


(continua..!)


(Lucca na minha barriguinha e eu pensando: Vai ser moleza!) kkkkkk






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